quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Fogo de Palha

Fogo de palha. 
Fogo de palha é veloz. 
Ele paga para ver, depois se apaga. 
O fogo gasta. Você cansa. 
A chama sobe e você se queima. 
Mas não enquanto a chama sobe. 
Você se queima depois. 
É com as cinzas. 
As cinzas te queimam como uma brasa jamais queimaria. 
As cinzas te sujam. 
Te escurece. 
Te bagunça. 
E você não sabe pra onde ir. 
E já não tem energia pra queimar. 
Não tem fogo pra acender nada. 
Fica lá. 
Só, triste, preto, gasto.




"A flor que trago hoje, é o pólen que respiro amanhã"
- Igor Dresjan -

Via tumblr: @NetWords

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Alíviquido


De uma jorrada no papel,
A literatura escorreu-se bela.
E dela, ao meu ver, corruptela.
Rasgando a folha ao léu.

O calor espirrado nas paralelas
Borra a tinta já impressa.
E o branco no branco, que nada se expressa,
Se transpassa fazendo-se aquarela.

Ferramental ofegante, encurva-se.
Liberto da apertura injusta
E após fricção exausta,
Finalmente derrama o fluido como se falasse.

E assim fez-se o poema.
Emoções escorridas em aparato branco.
Assim como higiene ao corpo,
E equilíbrio à alma.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Reconstrução

Alguma coisa que não é minha
Me faz acreditar nisso tudo.
E ao olhar para o futuro,
Vejo tudo o que eu tinha.

Tudo o que eu tinha
Faz de mim quem sou hoje.
E aquele poema... O nome me foge,
Mudou o modo no qual eu fazia.

Lendo a ordem das palavras
No papel, me fazia refletir.
E tudo o que fez-me sentir,
Foi o que mudou minhas caminhadas.

Foi sutil, simples, profundo.
Como um só poema transforma.
Às vezes, resistindo, o leitor se arma,
Mas depois cede e se joga no mundo. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tiro

Eu atiro
Eu a tiro de meu coração
A tiro da minha vidinha
Aquela que você disse não lhe alegrar
Aquela que você pisou como se goma fosse
A tiro dos meus pensamentos.

A tiro da minha vida
A tiro de mim.
Atiro de tudo.

Me leva daqui!

Me leva daqui,
Me tira desse estado,
Me faz viver sem esforço,
Me diz o que você acha,
Me perturba sem esforço,
Me tira do buraco,
Me põem em um buraco,
Me tira a gravidade,
Me faz flutuar,

Me satisfaz,
Me perturba,
Me morde,
Me baba…

Me beija. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A Receita do Palhaço

A receita do palhaço não tem ingrediente,
Simplesmente observe-se e expire sua mente.
O andar, o falar, o respirar não são diferentes.
Basta naturalizar o natural e andar para frente.

Para frente, para o lado, para trás.
Direções são relativas demais!
Para o palhaço, não existem referências.
Talvez, sim! Seu nariz leva a sua experiência.

Se experiência equivale a maturidade?
Ha ha ha! Mas é claro que não!
Quando ele fica à vontade,
Já está lá, se jogando no chão.

Palhaço que é palhaço não tem hora nem lugar.
Basta um estímulo e o 31 de Dezembro 
Que ele já aparece para se mostrar.
Pelo menos, é o que entendo.